segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mdma


De mãos dadas, como costumamos descer a avenida, pensei que se apertasse mais forte sua mão nós seríamos mais fortes... ou pelo menos mais pesados. Não só pela nossa magreza, é que a noite era tão calma e até as luzes dos faróis altos e os sons dos carros de São Paulo viraram poesia. Me sentia tão leve que não sentia mais o chão... E você me respondeu com o mesmo aperto forte, que durou até o número 845.

Juntos somos nós.

Para o meu melhor amigo...

sábado, 24 de março de 2012



Eu sonolenta ainda enxergando embaçado, entrei naquele banheiro antigo e vi a luz da janela diagonal batendo em você, escovando os dentes com o pé apoiado no joelho que nem um macaquinho, como eu sempre fiz a vida inteira mas por algum motivo estúpido parei com essa coisa de ser estraínha e parecida demais com o meu pai.
Uma mistura de medo e ansiedade de acabar logo com isso que eu não sei aonde vai parar, me fez ter a paciência de disfarçar que não percebi você me olhando do outro lado do espelho aberto, e sentar na banheira escovando meus dentes te olhando sem explodir de vontade de dizer tudo o que percebo quando estamos perto e por querermos chegar no mesmo lugar.

É tanto...

sexta-feira, 16 de março de 2012




E quando abriu os olhos, ela sentiu: eu existo!
Por segundos eternos ela morreu, esqueceu de tudo que faz permanecer.
Saiu dançando só com o corpo, passando por todos os outros mortos-vivos... Fecha os olhos e (relembra) vive, que estar em sintonia é apenas ser você.
Aqui jaz um cadáver do meu ego.


O quanto essa força é poderosa...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



O semáforo mudando de cor enquanto eu ando no meio da rua vazia me convence.
E quando a gente brinca de verdade ou mentirinha, a diversão é iludir, não é?
Adoro me convencer iludindo. É tão novo. E meu. Mas só me convenço e deixo convencer quando penso, digo e faço em harmonia.
É que cansei de ser só eu... Inovando e acreditando o tempo todo nas mentirinhas alheias pra se tornarem boas verdades. Ainda se apossam das minhas mentirinhas convincentes e saem por aí, cantarolando como se fossem suas! E são, porque dou tudo o que entendo por meu. Mas sinto... A impressão que tenho é que eles se bastam em viver de ilusão... Eu sinto muito.
Quero mais que fabricar ilusões... Quero que elas se façam sozinhas, sem eu estar sempre no comando.

Bem natural...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Desculpa



Eu fui pegar água pra matar minha sede de mentirinha só pra passar por perto. E ele deitado no sofá falando no celular me chamou, uma, duas vezes... E como uma adolescente apaixonada fingi que não era comigo. Saí andando e reclamando pra um garoto que não dava pra beber água num copinho de café... E pensando o porque não ia sentar lá como eu e a Cláudia sempre fizemos por aí até agora.
A vontade de ficar perto e ao mesmo tempo sair correndo me deixou uns 2 minutos em pé procurando uma pose, que por falta de tempo, acabou sendo a de ficar escorada no balcão da recepção mesmo.
Ele veio perguntando se eu tinha conseguido beber água... E aquela luz baixa favorecia tanto seu cabelo, sua pele, seus olhos, todos os porinhos do seu rost... Hã? Que água? Era um príncipe loiro azedo na minha frente!!! Foi aí que lembrei o porque quase fiquei com torcicolo da primeira vez que vc passou de relance por mim...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012



Ela não sabe o que e quem é quando escreve. E um sábio lembra que um dito espirituoso é um epigrama sobre a morte de um sentimento…
Mas não quero que isso pareça uma de suas auto-afirmações. Às vezes sinto que ela escreve pra tentar parecer ser mais babaca... E por um estranho gosto em estragar tudo.
Cansei de ser a babaca-reflexo de todos os babacas que já estiveram aqui.
Dá preguiça de estragar tudo como sempre, de novo e de novo e de novo...
A vontade de perder a linha e escrever sobre tudo o que eu sei fica quase incontrolável. Pra matar logo essa babaca que só existe porque vive nos bastidores quietinha, sem ninguém incomodando.
Queria lembrar de tudo o que já entendi.

Mas ela só quer mesmo pensar em coisas mais normais…

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



Ainda mais você... Que nunca vai atoa pra lugar nenhum.

Hoje te vi até com a sua tatuagem no braço direito (só que era de dragão, horrenda) virando a esquina. Outro dia foi na praia, todo meio barrigudinho e corcunda (como você é naturalmente, não fingindo postura), de sunga e óculos escuros, disfarçando e olhando pra minha bunda...
Ontem foi na padaria, lendo jornal concentrado, com uma perna dobrada em cima da outra, como você sempre senta pra se sentir o galã do momento.

Até quando vou quase morrer de ataque cardíaco por alucinar que ele tá em todos os lugares?

sábado, 31 de dezembro de 2011



Que vontade de chorar...
O meu último medo do ano é acabar chorando feito uma criança quando a queima de fogos começar... Quando as atenções se voltam totalmente pra mim... No meu mundo, claro.
Acho que deve ser por isso que sempre fui muito egocêntrica. Quando era pequena, realmente acreditava que a queima de fogos era toda por minha causa. As pessoas estavam ali porque algo muito grandioso aconteceu quando nasci... Era por mim que existiam os fogos! Claro!

Lembrei de um dia, que discuti por horas com meu irmão que eu sabia voar!
E que ele tinha me visto passar voando ainda!
Ele tentava explicar... "Carla, isso foi um sonho". E eu cada vez mais convencida retrucava: "Nãããão! Você me viu passando, eu te dei tchau! Como você não lembra????".
Me indignava e depois pensava que ele provavelmente me sabotava porque os adultos estavam nos escutando. E os adultos adoravam quando sabíamos racionalizar... Era como ganhar um prêmio 'estou sendo inteligente'...

Sempre confundi sonho com realidade, mas acabei dando o braço a torcer durante os anos... Os fogos não são pra mim, eu não sei voar.

Mas confesso que hoje, mais tarde, quando os fogos começarem a surgir no céu, alguma partezinha de mim vai acreditar que aquilo é um pouco meu...
E que talvez, se eu me esforçar bastante, consiga flutuar uns centímetros do chão...

Feliz Ano Novo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


Não está certo, você não devia... Você devia abrir os horizontes da sua vida, você precisa.
Não seja tão precoce, ok?
Não seja tão esperta.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



Oi, você!
O fim de ano é tão brega quanto o meu sentimentalismo juvenil. Me faz pensar no que deixei pra pensar depois. E eu estive pensando muito que não ter pensado antes me fez pensar agora bem mais além do que se tivesse pensado aqueles dias... E eu me conheço, pensando não teria feito nada.

Você me diz que as coisas tem que ser mais objetivas...


Olha só pra mim! Tô aqui de vestido e salto, tenho um seminário pra apresentar daqui a uma hora e não sei nem com quem deixei meus documentos.
Eu desisto da minha objetividade porque é simples... Objetividade tem hora pra apresentar seminário e lugar dos documentos na carteira.

E não suportar ver alguém racionalizando cada passo a se dar...
É o que não se vive pensando
Amor...
O meu melhor pra você acontece sem saber agora... (só depois)
E voa...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A melhor certeza de todas é a de que posso ser o que eu quiser
E contradição é de quem se apega ao passado ilusório sem entender o presente.
Isso é ser livre!
Julgar é atestar limitação. Se liga. Se não daqui a pouco vc vai precisar provocar mediocridades nos outros pra se sentir vivo. Deve ser o vazio mais cheio...
O real é bem maior que isso, abra sua mente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Eu andei voando esses tempos por isso... Agora que meus pés estão no chão eu sei que você é a melhor nuvem. E sei que o vento vai fazer você fugir, precisei me proteger do seu medo. Mas mesmo com meus pés no chão eu vou correr atrás do vento, até sua nuvem virar chuva e encharcar meus pés...



"Eu já sei caminhar em tantas nuvens...
E posso visitar de vez em quando o chão
No alto do parque, por cima das árvores eu vejo você...
Antes de bater o vento eu já pensava em voar
Antes do sol clarear eu desapareci
Por cima dos prédios, estrelas vermelhas não brilham no céu
Eu sou das ruas de qualquer lugar
Existo sempre que você pensar em nós
Não tenho tempo pra guardar recordações
Mas o tanto que eu levar de você
Eu deixo um pouco pra me misturar
E não descanso pra você dormir..."

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O meu jogo não é feito pra ser estudado. Porque quem procura, acha o que quer procurar.
Você não pode tentar contar as cartas, isso é trapacear. Você vai acabar achando o que mais quer mas morre de medo e não admite.
Não vem jogar sem querer perder...
Brincar de verdade ou mentirinha é assim.
Você só tá na vantagem porque quis trapacear. Eu continuo jogando, não tenho medo de perder pra você.
E não devia, mas vou falar...
O meu amor brinca de verdade ou mentirinha o tempo todo.

sábado, 20 de agosto de 2011



Se eu sou uma falsa inocência é pra me proteger...
Quando confio que só existe você é porque você gosta
E sou tão perfeita nesse papel que até eu mesma me confundo, que o que te importa em mim eu que sei!
Mas minha confiança sempre foi sedução, e é aí que eu asseguro a minha sincera inocência. Então, quem manda aqui sou eu. Cai fora! Eu sei das minhas escolhas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011



Tudo o que eu não posso te falar...

-Porque você tá me olhando assim? Eu te conheço...

(Tô te olhando assim porque percebi que eu sempre bebo demais quando te vejo pra suportar o sentimento que transborda pela boca seca...)

-Sabe o que é? Eu sei que não era pra ser assim...