terça-feira, 27 de março de 2018

Achei nos rascunhos. Não lembro da onde veio isso.

- "Isso daria uma foto. Muito foda...", um desconhecido fala pra nós, enquanto tentamos acender juntos nossos becks em um outro já aceso. E de repente meu olhar se distancia e tento imaginar como essa cena aconteceu. Daria um filme... Nós. Dos bons.
Por todos os lugares em que passamos: os sujos, de sempre, nossos; e os não-tão-sujos, que de vez em quando fazemos um turismo - e que, apesar de paredes limpas - há muita poeira na mente dos frequentadores.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

São dois ônibus, um metrô e uma carona. Um dia inteiro de trabalho e uma hora e meia de deslocamento até em casa. Uma hora e meia em que eu olho a escada rolante enorme e vou subindo devagar... já em cima, olho pra lojinha de laricas do outro lado da rua e hoje decido não comer industrializado. 
O Japinha já tá bem feliz e ganhou muito dinheiro durante esses anos em que abriu a lojinha. Acho que devo ter sido uma das suas primeiras freguesas, certeza. Ele já me olha com intimidade, como se me conhecesse. Me conhece há anos, se for pensar. Que fita. 
No Terminal Sacomã, antes de descer pra pegar o ônibus, você passa por umas dez barraquinhas, que não são exatamente barraquinha, são tipo uns foodtruck de podrão, com precin bom. Tamos no Sacomã e não na Vila Madalena.
Colocam o preço de 10 pães de queijo a 2,00, hoje vi uma que tava 1,50... tô viciada nessa porra. Só lembro de tirar dinheiro por causa deles. Mas quando não tiro, também tem um lugar que passa cartão, que a Ruts me apresentou. Lá tem um combinado foda de pão de queijo + chocolate quente (puro açúcar) a 3 conto, ou sejeee... pego meu saquinho, sem o chocolate (porque tá calor) e vou descendo mais uma escada rolante gigante, com vista privilegiada pra fila do meu busão, que é uma das maiores do Terminal. 
Parece que a vida tá te tirando um pouco, depois de um dia de trabalho intenso você desce uma escada rolante enorme e lenta pra porra, parece que essa lentidão é pra ir dramatizando a vida com o tamanho da fila, mesmo. Um dia, no horário de pico, vou ficar no final dela só observando a expressão das pessoas mudar ao sacar suas filas. Às vezes penso em tirar foto pra ostentar a vida de merda, mas acho meio tosco quem faz isso. Tipo postar foto de pulseirinha VIP de hospital. Porquê vocês fazem isso?

Lá em baixo é um cheiro de escapamento de busão intoxicante, que abafa e nos mata uns 10 anos antes, certeza. Mas tudo bem, o ônibus chegou, tô com sorte. A fila tá naquele tamanho limite de eu saber que vou sentada. É, eu sei pelo comprimento da fila, quase que exatamente, se vou sentada ou não. Se passa, vou pra segunda fila, meus vasos zinhos das coxa já estão causando comigo se ficar em pé tanto tempo. 

Desenvolvi uma paciência amorosa pelas situações dali. Pela tiazinha, que vai de um em um na fila, falar as palavras de Deus e sei lá mais o que (ela fala muito baixo e ninguém nunca consegue entender direito), mesmo que às vezes seja completamente ignorada pelos fones. Pelos encontros de desconhecidos íntimos. Pelos encontros de amigos que nunca mais vi e só encontro nesses deslocamentos. Pelas micro-conversas com gente desconhecida na fila que me fazem sorrir. Pelos pombos... não consegui ainda, mas estou trabalhando nisso porque, em todos esses anos, eles nunca cagaram em mim ou em ninguém que eu tenha visto. E um dia vi um filhote de pombo lá, não sabia como era. Grandes conhecimentos da vida! 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

...

Eu me esqueci...
Como se não fosse importante lembrar
Não é tão importante... o que eu fui... sendo assim... o que sou agora. 
É mais importante? 
O que sou agora?
O que é bom fazer? O que achava bom de fazer? É normal não saber?
Eu me esqueci...
Talvez dormir. Tenho alguma magia com o sono, podia passar horas e mais horas, construindo meu mundo lá... parecia saber mais do que sei aqui.
Vou voltar a escrever!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014



Vou por onde você me levar
Sem dizer, sem fronteiras...
Qualquer caminho somos nós
Ninguém pode saber

Aonde vamos estar
As respostas determinadas de outros
Em seu território de limite
Não vai nos fazer ousar
Aquele sonho que você comprou de graça
Outro dia na padaria

Sentir o gosto do veneno doce
Que nos mata aos poucos, e melhor
Será que estamos morrendo?
Será que estamos...
Mais vivos? Felizes?
Como os outros inventam...
Sem saber, seguindo o caminho que já existe

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Apaixonadamente apaixonante

Fico na dúvida se é anormal viver apaixonada por você. Já faz dois anos...
Não que seja muito, não que seja anormal conhecer todos os seus defeitos e esquecê-los quase todos os dias, já que minha memória é um saco, ainda que você seja o maior culpado por me fazer achar que eles são pequenininhos perto do grande homem que você é.
Vou ser sincera, me desculpa, mas às vezes é muito difícil ser completamente apaixonada. Acho que é até pior dos que não tem a paixão correspondida, porque cada vez que ficamos juntos tenho mais e mais vontade de você. Minha vontade aumenta e não tem fim.
Eu achava que um dia iria acalmar, que tudo seria monótono outra vez e eu me conformaria, talvez... Mas não.
Ainda vejo seu nome na tela do celular com empolgação, sinto o friozinho na barriga toda vez que você volta de viagem e vem me dar um beijo todo desajeitado porque estamos no meio da rua e você tem vergonha, me derreto completamente quando você me fala exatamente o que eu tava querendo ouvir, quando abro os olhos e enxergo o seu rosto lindo de perfil, dormindo tranquilo.

Não pare nunca.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Da gente


É da gente fazer carinho de pé, esfregando um no outro, e no do outro
É da gente dar abraço de pescoço
É da gente cutucar o pescoço com o nariz, duas ou três vezes, que nem um cachorro pedindo carinho
É da gente morder o ombro a mostra, fazendo movimentos de acasalamento
É da gente respirar a pele um do outro quanto a rinite ataca
É da gente acordar com o outro já acordado olhando com cara de apaixonado (às vezes isso me assusta e vc fica bravo porque eu quase bato em vc sem querer, mas é que quando tô concentrada no sono quase esqueço que você tá ali e o inconsciente pensa que vc é um invasor)
É da gente dormir grudado em cama de solteiro, e quando ameaço mudar de posição, vc me segura pra não sair de perto
É da gente querer entrar um no corpo do outro de alguma maneira, se esmagando ou tentando dormir com a boca encostada uma na outra
É da gente imaginar o metrô explodindo ou que alguém poderia nos empurrar nos trilhos em 5 segundos, enquanto esperamos na plataforma
É da gente ser sensível e perceber o que o outro tá sentindo em qualquer momento (incluindo quando estamos imaginando tragédias)
É da gente querer demonstrar nosso amor um pro outro
É da gente ser amável e sempre se amar (até quando sentimos raiva).

Escrevendo isso percebi que a gente parece cachorro, em partes

quarta-feira, 20 de março de 2013

Viver dói


E quando aumenta o meu desejo
De te ter só pra mim
Eu vou embora, engolindo a saudade quase que momentânea
Me dizendo que sou maluca, frágil demais pra suportar
Que não poder ter certeza do que tanto se quer
Todos os dias, todos os segundos, cada vez mais
É viver.
Viver é foda.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Seus olhos

É como se os seus olhos entregassem a pessoa que você vai se tornar. Como se só eu enxergasse isso, enxergasse o seu olhar futuro... Eterno. Ninguém além de mim enxerga isso. Isso me torna uma cúmplice do seu futuro.
No seu olhar eu enxergo o atemporal... O infinito dos seus olhos me faz acreditar que o seu rosto é conhecido, reconhecido. Uma mistura insana de passado, presente e futuro.
A sensação do infinito... Não sei porque mas tenho certeza de que vou sorrir mais 29 mil noites (segundo nossas contas) enxergando nos seus olhos o infinito... Dos seus olhos.... Que me fazem enxergar... O infinito...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Jurei

-Mas eu não tenho o que dizer.
-Então escreve sobre não ter o que dizer.

Descobri agora que odeio gente que fala sem ter o que dizer, e já me sinto idiota o suficiente por não ter a menor ideia do que tô fazendo agora, registrar minha inutilidade no mundo me parece pior ainda. Agora, pelo menos pensei em odiar, e odiar já é uma coisa pra se falar.
Mas aprecio a sua vontade de elevar minha autoestima, falando que não gostou da música daquela menina que te mostrei e que eu sei escrever melhor.
Vai demorar, porque já ia começar a falar de você. Quero ser um pouco mais original, já que você tá longe. Já que você não tá aqui pra curtir minha TPM. Já que você me deixou nessa cidade sem mar e imunda e chata e chuvosa.
Queria escrever algo incrível sobre minha super trajetória de casa pro estágio. Algo sensacional sobre a festinha cult no terraço. Algo emocionante sobre a reuniãozinha da firma.

Mas parece que o incrível, o sensacional, o emocionante eu tô deixando pra fevereiro.



sábado, 20 de outubro de 2012


Gente tem medo de gente que não tem certeza do depois, de gente que deixa o depois para depois, e vive o agora. Mas amor é, como sempre digo. O amor é sempre, não há com o que se preocupar.

Mas confesso que te amo quando, no estado de vigília, ouço sua voz pertinho do meu rosto me fazendo promessas eternas. E acordando aos pouquinhos, tentamos pensar em como poderíamos viver o que somos hoje pra sempre, fazer o nosso "pacto". Num insight relâmpago, percebo que o pacto já está feito, que é andando juntinhos assim que vamos bem.

A gente tem o eterno amor de além.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Passo por de baixo de uma estrutura de ferro, daquelas que restauram prédios. 6 segundos depois parecia infinito, e ainda me faltavam alguns 30 passos. Aí pensei como é que eu não morro com todas essas pessoas passando e roubando a vida com os olhos. A Paulista é chata para quem enxerga bem.

domingo, 1 de julho de 2012



Me dou melhor com distância de longe do que de perto.
Não consigo me distanciar de perto, é como uma traição não se envolver totalmente. 
E a distância não quer dizer ausência total, é que às vezes sinto cada vez mais egoísmo.
Se é tão difícil ser sensível para perceber o outro a qualquer momento, você tá morto. A maior parte do tempo preocupado demais pensando em você mesmo. Que preguiça! 
Egoísmo é preguiça. 
Entender o outro é esforço, a sensibilidade é o sentido base para qualquer pessoa viva. 
Não morra dentro de você mesmo. Se esforce para entender, e entender é compartilhar. Renuncie a maior parte do que você entende por você, porque compartilhar com si próprio não existe, não É.
SEJA Amor.

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Onde eu vim parar?

Cheguei cambaleando, de perna bamba e solta...

E eu me pergunto o que é que eu sou...
Vai ver eu não sou mesmo nada.
E eu me pergunto o que é que eu fiz...
Vai ver que eu não fiz mesmo nada.

Talvez eu deva ser forte,
Pedir ao mar por mais sorte
E aprender a navegar...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mdma


De mãos dadas, como costumamos descer a avenida, pensei que se apertasse mais forte sua mão nós seríamos mais fortes... ou pelo menos mais pesados. Não só pela nossa magreza, é que a noite era tão calma e até as luzes dos faróis altos e os sons dos carros de São Paulo viraram poesia. Me sentia tão leve que não sentia mais o chão... E você me respondeu com o mesmo aperto forte, que durou até o número 845.

Juntos somos nós.

Para o meu melhor amigo...

sábado, 24 de março de 2012



Eu sonolenta ainda enxergando embaçado, entrei naquele banheiro antigo e vi a luz da janela diagonal batendo em você, escovando os dentes com o pé apoiado no joelho que nem um macaquinho, como eu sempre fiz a vida inteira mas por algum motivo estúpido parei com essa coisa de ser estraínha e parecida demais com o meu pai.
Uma mistura de medo e ansiedade de acabar logo com isso que eu não sei aonde vai parar, me fez ter a paciência de disfarçar que não percebi você me olhando do outro lado do espelho aberto, e sentar na banheira escovando meus dentes te olhando sem explodir de vontade de dizer tudo o que percebo quando estamos perto e por querermos chegar no mesmo lugar.

É tanto...